Cerco contra febre amarela em Nova Lima passa por blitz e bota-fora de lixo

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Cidade tem o maior número de mortes em decorrência da doença desde julho do ano passado. Seis moradores já perderam a vida

Na cidade onde até agora foi registrado o maior número de casos de febre amarela – a Secretaria Municipal de Saúde já contabiliza seis mortes, um paciente confirmado e um com suspeita da doença –, o sábado foi de campanha contra a doença infecciosa causada por um vírus transmitido por mosquitos infetados. Logo na chegada a Nova Lima, na região metropolitana, uma blitz educativa parou os motoristas em frente ao posto da Polícia Militar Rodoviária (PMR). Com panfletos com informações sobre a doença, agentes da prefeitura e voluntários tentavam alertar as pessoas sobre a importância de tomar a vacina, que é aplicada gratuitamente nos postos de saúde.

“A blitz é uma campanha educativa para o controle e manejamento adequado da febre amarela. Queremos chamar a atenção da população para cada um fazer a sua parte”, afirmou Caroline Romane, diretora do Departamento de Educação e Saúde da secretaria da área. Em áreas rurais ou urbanas, os macacos são os principais sinalizadores da circulação do vírus, já que costumam ser infectados antes mesmo de a doença, em sua forma silvestre, chegar aos humanos, e a transmissão se dá pela picada dos mosquitos Haemagogus e Sabethes. No entanto, dentro das cidades a enfermidade pode, potencialmente, ser passada pelo Aedes aegypti – mesmo mosquito que causa a dengue, zika e chikungunya.

Por isso mesmo, a campanha de ontem incluiu o chamado “bota-fora”, uma ação de coleta de objetos velhos e possíveis acumuladores de água parada, principal meio de propagação do Aedes aegypti. Oito caminhões percorreram vários bairros de Nova Lima, especialmente aqueles relacionados a óbitos ou que estão sob suspeita: Honório Bicalho, Galo, Santa Rita, Cascalho, Mata do Engenho (próximo a Macacos) e Alto da Gaia.

Ao longo da semana, a prefeitura orientou a população a deixar na porta de casa pneus velhos, sucatas, garrafas e materiais em desuso. O volume arrecadado ontem será encaminhado ao aterro sanitário, onde haverá a separação do que puder ser reciclado. No final da madrugada, um caminhão ainda percorreu ruas da cidade para a pulverização do inseticida conhecido como fumacê.

VACINA A prefeitura também manteve abertos ontem, em esquema de plantão, oito postos de vacinação em Nova Lima. De acordo com Vilane Graziele de Assis, enfermeira da Coordenadoria de Imunização do município, a procura pela vacina quintuplicou ao longo da semana. A cada dia, têm sido aplicadas, em média, 1 mil doses do imunizante. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde, o último levantamento apontou que 96% dos moradores já estariam vacinados contra a febre amarela.

Diferentemente de Belo Horizonte, em Nova Lima a prefeitura optou por só aplicar vacina em grávidas e idosos mediante apresentação de recomendação médica. Além disso, os profissionais dos postos foram orientados a prestar esclarecimentos sobre as principais dúvidas, entre elas sobre as doses necessárias para a imunização, já que protocolo da Organização Mundial de Saúde, adotado no ano passado pelo Ministério da Saúde, considera que apenas uma dose é suficiente para ficar imune à febre amarela. “Não estamos aplicando a vacina em quem já é vacinado e tentando explicar às pessoas a razão, para que ninguém saia do posto insatisfeito”, contou a enfermeira.

Nova Lima decretou estado de emergência na terça-feira passada, quando cinco mortes já haviam sido confirmadas – os testes sobre o sexto óbito saíram dois dias depois. As mortes mais recentes são de um homem de 47 anos que vivia em São Paulo e passava férias com a família no município, e de um homem de 41 que morava no Bairro Cascalho.

Fonte: EM

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