Comércio volta a contratar

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Setor prevê alta de 5,2% nas vendas e abertura de unidades; FCDL-MG destaca conjuntura positiva

O varejo começou 2018 com crescimento e deve ajudar na consolidação da retomada econômica do país. Depois de uma alta de 6,5% no varejo ampliado em janeiro, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) fez uma revisão para cima de sua expectativa para o setor em 2018, e passou de 5% para 5,2%. A entidade também estima a abertura de mais de 20 mil lojas no país neste ano.

Para o varejo de Belo Horizonte, que registrou crescimento nas vendas de 1,64% no primeiro mês de 2018, a expectativa da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-BH) é crescer pelo menos 3% nas vendas. “O crescimento pode ser pequeno desde que seja constante. Grandes saltos que não se sustentam são muito caros para o empresário”, avalia o presidente da CDL-BH, Bruno Falci.

O crescimento do varejo está diretamente ligado a recuperação do emprego, na avaliação do economista da Federação das Câmara de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), Vinicius Carlos. “Vamos crescer de fato quando os desempregados forem reabsorvidos pela economia. Mas, no momento, já é possível ver uma melhora dos resultados em Minas Gerais que está ligada a queda da taxa de juros Selic e a inflação baixa”, analisa Vinicius Carlos.

O próprio varejo está ajudando a absorver mão-de-obra. Só na Páscoa, o varejo deve gerar 10,6 mil empregos temporários no país, segundo a CNC, além de movimentar R$ 2,2 bilhões e alcançar o melhor faturamento dos últimos cinco anos.

Em BH, serão contratados 170 temporários para o Bazar Hudson, que acontece nos dois primeiros fins de semana de abril, no galpão do atacadista de utensílios domésticos, no bairro Jardim Canadá em Nova Lima. “Estamos com uma expectativa positiva para 2018 porque as vendas melhoraram no fim de 2017. Pretendemos crescer nessa edição do bazar, que é aberto ao público, 12,5% em relação ao ano passado e 22% no faturamento total da empresa em 2018”, afirma a presidente do Bazar Hudson, Renata Faria.

Outro demonstração da retomada, é a expectativa de abertura de 20,7 mil novos estabelecimentos comerciais neste ano, divulgada pela CNC. Em 2017, o saldo entre aberturas e fechamentos de estabelecimentos comerciais ficou negativo em 19,3 mil unidades. Esse crescimento chegará a Minas Gerais se depender da farmácia de manipulação artesanal que hoje tem 24 unidades no país e pretende alcançar 50 lojas até 2019. Quatro delas poderão ser abertas no interior de Minas Gerais, por meio de franquia, em Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba e Patos de Minas. E, claro, essas unidades vão contratar trabalhadores.

No Estado, o otimismo chegou ao consumidor. Um índice usado para medir a retomada da confiança pela FCDL-MG é a intenção do consumidor de poupar ou gastar. Em fevereiro de 2017, o estudo mostrou que 76% dos entrevistados pretendiam poupar e 24% consumir. No mesmo mês de 2018 a proporção era 66,2% de poupadores e 33,8% de interessados em consumir. “A confiança na economia aumenta a intenção de compra”, diz Vinicius Carlos.

Evento

Tecnologia. O Infovarejo, realizado pelas empresas Avanço, ATS e Nérus, de softwares de gestão para o varejo, aconteceu nesta terça-feira (20) na capital mineira e reuniu 500 comerciantes para conhecer tecnologias aplicadas ao setor.

Tecnologia é aliada na retomada do varejo

A tecnologia já está ajudando o varejo a alcançar melhores resultados. O empresário Cristiano Oliveira, da loja de construção e acabamento Cristiano Casa e Construção, no bairro Milionários, na região do Barreiro, usa inteligência artificial na hora de vender. O software Nérus sugere ao vendedor da loja produtos que são complementares à compra do cliente. “Com isso, um vendedor recém-contratado tem a mesma capacidade de orientar o cliente que um vendedor experiente”, diz Oliveira. O sistema está em fase de testes na loja de Cristiano, mas a expectativa é que o software incremente entre 10% e 25% as vendas das empresas.

“As soluções de gestão e venda para o varejo que utilizam inteligência artificial podem custar de R$ 99 até R$ 40 mil por mês”, explica Gustavo Fleubert, da Avanço Informática, que também tem uma software de gestão para varejistas. Para ele, o valor mostra que a tecnologia está acessível para médias e pequenas empresas. “São ferramentas que já eram usadas no comércio eletrônico, aplicadas ao comércio off-line”, diz Geovanne Teles, da ATS Software, que usa a inteligência artificial do Watson da IBM. Para Cleber Piçarro, CEO da Nérus, a inteligência artificial ajuda a reduzir custos. “Ele funciona como um gerente para a empresa”, conclui Piçarro.

Tendências

Palestrante do Infovarejo, Nelson Soares, da consultoria Stefanini Scala, aponta as tendências tecnológicas para o setor varejista:

Realidade virtual e aumentada. O cliente aponta o celular para um produto e vê informações adicionais. Também funciona com óculos 3D.

Big Data e Analytics. Permite que dados coletados pela própria empresa se transformem em inteligência na hora de oferecer produtos.

Etiqueta digital. Substitui a etiqueta de papel e pode alterar o preço de forma dinâmica, usando dados de estoque, concorrência e preferência do cliente.

Atendentes virtuais. Serviços de atendimento que utilizam inteligência artificial (chatbots).

Internet das Coisas. Usada em logística e estoque.

 Fonte: O Tempo
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