Greve de caminhoneiros compromete produção de cerveja artesanal para a Copa do Mundo

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Aí vai uma má notícia para os belo-horizontinos: pode faltar cerveja na capital dos bares durante a Copa do Mundo, que começa em 14 de junho. A greve dos caminhoneiros, que já representa uma perda de cerca de R$ 11,9 bilhões para a economia de Minas, afetou também as cervejarias artesanais, justamente neste que seria o primeiro Mundial desde que a bebida caiu definitivamente no gosto do consumidor.

Pelo menos 80 toneladas de insumos ficaram presos nas estradas e os estoques para a produção começam a chegar ao fim. De acordo com a Minas Maltes, que fornece malte e lúpulo para mais de 100 cervejarias locais, duas carretas estão presas nas cidades de Perdões e Atibaia (SP) e outras duas, que eram para ter chegado nesta semana, sequer foram carregadas para o transporte.

“Estamos zerados e, mesmo que os caminhões cheguem, não vai dar para abastecer todo mundo. Corre o risco de faltar cerveja para a Copa, sim”, afirma Michel Mafia, representante da Minas Maltes, que estima um prejuízo total de R$ 300 mil para a distribuidora nas duas últimas semanas.

Por falta de material, a Cervejaria Küd, no Jardim Canadá, em Nova Lima, precisou interromper a produção na última quinta-feira. “Ainda teremos um pouco de chope para a Copa, mas não chega à metade da nossa capacidade. Nossos estoques acabaram e, mesmo que os insumos venham a tempo, a cerveja só ficaria pronta dentro de 35 a 40 dias”, explica Bruno Parreiras, sócio-proprietário da empresa.

O mesmo problema afeta a Cervejaria São Sebastião, em Macacos, que também precisou parar as máquinas devido ao desabastecimento. “Fomos afetados de várias maneiras. Falta gasolina para a distribuição, insumos que estão parados nas estradas, gás de cozinha para os equipamentos de fervura. Não tivemos alternativa a não ser interromper a fabricação”, afirma Augusto Franco, mestre cervejeiro e sócio do empreendimento.

Ele ressalta ainda que poderá faltar gás carbônico e oxigênio para fazer a correção do gás e o engarrafamento da bebida já produzida. Os itens são fornecidos pela Refinaria Gabriel Passos (Regap), parada desde a última quarta-feira por causa da greve dos petroleiros.

Em alerta 
Entre as fábricas que ainda conseguem manter a produção, o clima é de alerta. Na Krug Bier, em Nova Lima, há problemas para fazer a distribuição e os insumos não estão garantidos para a semana que vem.

“Está complicado. Alguns pedidos voltaram, outros tiveram que ir fora do horário, precisamos furar bloqueio, uma confusão. Para produzir, estamos nos virando com o que temos, mas está longe de ser o nosso normal. Até este fim de semana teremos insumos, mas para a semana que vem não conseguimos ter certeza”, afirma Kilder Taylon, auxiliar de manutenção da Krug Bier. A cervejaria Loba, de Conselheiro Lafaiete, tem um cenário parecido. O estoque será suficiente apenas para produzir até domingo e, a partir de segunda-feira, a fábrica pode parar por falta de produtos.

“Por sorte, tínhamos feito um pedido extra na semana passada e conseguimos nos manter nesta semana, mas se as coisas não se normalizarem, na segunda-feira vamos ficar sem produção”, explica Felipe Amâncio, gerente da cervejaria.

Fonte: Hoje em Dia

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