Ligação entre o Barreiro e o Vila da Serra, próximo ao BH Shopping, causa polêmica

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A construção de um novo acesso viário entre Nova Lima e Belo Horizonte causa polêmica. A nova via teria 14 quilômetros de extensão e aproveitaria um trecho ferroviário, de cerca de 2,5 quilômetros, que ligava a antiga mina de Águas Claras, que era operada pela Vale, ao Barreiro, próximo ao entroncamento entre a BR-356 e o Anel Rodoviário.

“Isso vai causar uma verticalização da região, trazer milhares de novos moradores que vão novamente utilizar a rodovia. Não vai desafogar o trânsito. Visa unicamente favorecer proprietários de terrenos desses loteamentos da região”, enfatizou o presidente da Associação dos Amigos do Bairro Vila da Serra (Amavise), Sérgio Americano Mendes. Ele foi um dos participantes do debate sobre o projeto promovido nesta terça, 1º, pela Assembleia Legislativa de Minas. Para ele, a ideia não pode ser defendida apenas por empreiteiros e empresários”.

Na prática, a nova via faria a ligação entre um bairro – o Vila da Serra – onde moram famílias de alta renda, e o Barreiro, onde moram famílias de menor renda. Algo semelhante ao que ocorreu com a passarela construída na avenida Nossa Senhora do Carmo que ligou o bairro do Sion, de classe média alta, ao morro do Papagaio, um dos inúmeros aglomerados de baixa renda existentes em Belo Horizonte. Quando da construção da passarela, houve protestos por parte de moradores do bairro Sion.

Defesa

O secretário de Planejamento de Nova Lima, André Rocha, explicou o projeto que está em estudo. “A primeira fase do projeto usa a linha férrea, que tem 80 metros de largura, o que possibilita a implantação de vias, além de ciclovia e espaço para futuras possibilidades”. Essa primeira etapa teria cinco quilômetros de extensão e custaria cerca de R$ 50 milhões. A segunda fase passa ao lado das instalações da empresa Vale e segue até o centro de Nova Lima, conforme contou.

O prefeito de Nova Lima, Vítor Penido, manifestou apoio ao aproveitamento da malha ferroviária naquele trecho para a construção de uma via que ligue o município a Belo Horizonte. Ele falou que isso pode ser viabilizado por uma parceria entre as prefeituras das duas cidades e os governos estadual e federal.

O arquiteto da Secretaria de Serviços Urbanos de Belo Horizonte, Thiago Esteves, ressaltou que o projeto não pode desconsiderar a questão do transporte público coletivo. “Temos um plano de mobilidade que prevê a utilização de linhas férreas ”, comentou.

Segundo o deputado Fábio Cherem (PSD), que preside a comissão e solicitou que o debate fosse feito, a mobilidade urbana ocupa grande parte da vida das pessoas. “Precisamos buscar soluções para que o deslocamento seja a menor parte do dia da população”, afirmou.

O deputado federal Diego Andrade (PSD-MG), que pediu a Cherem que o assunto fosse discutido na Assembleia, ressaltou que o trecho ferroviário abandonado e sujeito a invasões pode ter melhor aproveitamento pela coletividade. Ele falou que é relevante viabilizar a cessão do imóvel pela Superintendência de Patrimônio da União (SPU).

Também defendeu a iniciativa o deputado Gustavo Corrêa (DEM), que mora na região. “Não podemos parar o desenvolvimento”, disse. Na opinião do deputado Anselmo José Domingos (PTC), é importante criar alternativas para a mobilidade urbana entre as cidades, posicionamento ratificado pelo deputado Antonio Carlos Arantes (PSDB).

O presidente da Associação dos Empreendedores do Vale do Sereno e Vila da Serra, Gilmar Dias Santos, disse que a via estruturante é uma solução definitiva para a região.

O superintendente da SPU, Luciano Caetano Couto, disse que a superintendência está receptiva às propostas, mas relatou dificuldades em relação à alienação do imóvel, que integra o Fundo de Contingente da União desde a extinção da rede ferroviária federal em 2007. Por causa disso, como disse, a SPU não tem competência para ceder o terreno às cidades. Luciano Couto destacou que uma alternativa é a venda do imóvel. Ele comentou que o espaço vale, atualmente, cerca de R$ 300 milhões. “O local tem um problema sério de documentação. Estamos providenciando as soluções”, acrescentou.

Moradores são contra

De acordo com o presidente da Associação dos Amigos do Bairro Vila da Serra (Amavise), Sérgio Americano Mendes, o problema de trânsito na região é evidente, mas a entidade não apoia esse projeto. Ele enfatizou que a primeira etapa não chegaria até o centro de Nova Lima, pois há terrenos particulares no caminho.

O diretor da Amavise, Felipe da Mata, destacou que não ficou claro o impacto ambiental do projeto para a cidade de Nova Lima. “Não sou contra o desenvolvimento. Mas, haverá um impacto grande no município. E falar de uma via estruturante sem ter o plano diretor é fazer puxadinho. Para que vai servir esse projeto?”, questionou.

O deputado João Vítor Xavier (PSDB), que também mora na região, falou que Nova Lima se transformou, na última década, no paraíso dos empresários. “Nada contra os empresários, mas é um crime o que tem sido feito na cidade; crime contra o meio ambiente, contra a mobilidade urbana, contra a população. A cada dia, novos empreendimentos são aprovados”, afirmou.

Da Redação, com ALMG

Fonte: BHAZ

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